UMA IMAGEM

outubro 5, 2009 por Guto

pilharevista

Se eu disser que essa pilha permaceu assim por cerca de quatro meses eu não estaria mentindo. Uma das últimas imagens que flagrei no pequeno cubículo onde morava em Copacabana. Não que fosse pequeno, mas para fritar dois ovos precisava fritar um de cada vez.

COPACABANA

junho 24, 2009 por Guto
 
 O bairro do Rio de Janeiro conhecido como Princesinha do Mar pode ser a estrela da história em quadrinhos “Copacabana” (Desiderata), escrita por Lobo e ilustrada por Odyr, ambos gaúchos, mas quem brilha são princesas como Diana e Suelen, prostitutas que ganham a vida nas calçadas da Zona Sul carioca. Assim como outra personagem, a travesti Princesa. Em um estilo próximo do noir, graças ao poderoso preto e branco de Odyr e à trama noturna de Lobo, o livro narra a roubada em que duas delas se metem após dar um golpe num gringo.
 

- A Copacabana noturna é difusa, sem mar, cheia de árvores retorcidas e pessoas caminhando pelas sombras – explica Lobo, que teve a ideia para a HQ enquanto andava à noite, insone, pelas ruas do bairro, em marcha acelerada para se cansar e dormir. – Mas é um noir tupiniquim, com cheiro de samba e chope.

Assim como o roteirista, que diz ter conhecido muitas Dianas e Suelens ao longo de sua pesquisa para o livro, o ilustrador Odyr comenta o processo:

- Nem acho que eu tenha feito justiça ao bairro, que é ainda mais poluído visualmente e noir do que está no papel. Até porque a visão noturna de Copacabana é mais pintura do que desenho. Acho que fiz mais justiça às putas do que à cidade e estou feliz com minha Diana, ela está viva ali no papel. E fazer uma travesti como Princesa também teve seus desafios, acho que ela se saiu bem.

 
Há tempos que o bairro mais autêntico do Rio de Janeiro merecia um retrato em quadrinhos assim: seco e poético na medida certa. Quem pensaria que Copacabana é noir? Depois deste livro de estreia da dupla, que se conheceu na produção da extinta revista independente ”Mosh”, fica a vontade de conferir mais, principalmente algo da Barba Negra, editora fundada por Lobo e Odyr após sairem da Desiderata. O primeiro era o responsável pelos quadrinhos da editora Carioca, e o segundo, pelo design. 
- Desistimos de montar a Barba Negra como uma editora convencional – adianta Lobo por email ao Gibizada. – Agora vamos focar em criar conteúdo e vendê-lo para editoras específicas. Em vez de criarmos os nossos catálogos passamos a ter o catálogo de todas as editoras à disposição. O que nos pareceu bem interessante. 

Texto publicado originalmente no Jornal O Globo, Gibizada:

http://oglobo.globo.com/online/blogs/gibizada/

BALANÇA MAS NÃO CAI

maio 8, 2009 por Guto